Cigarro: Inimigo da saúde e da beleza

A primeira vítima é a aparência, sem dúvida. E a grande vilã da história é a nicotina, um líquido tóxico existente nas folhas do tabaco e que já era utilizado em 1690, na França, como - acredite - inseticida. Além de causar dependência, a substância tem efeito vasoconstritor na microcirculação sangüínea. Ou seja, reduz o diâmetro dos pequenos vasos, dificultando o aporte de oxigênio e de nutrientes que as células recebem por meio do sangue. Como conseqüência, a pele perde o viço e começa a envelhecer precocemente.

Mais rugas e flacidez

Resultados de um estudo realizado pela Universidade de Ouio, na Finlândia, demonstraram que, devido à nicotina, o organismo dos fumantes produz menos colágeno, responsável pelas fibras elásticas da pele. "Por causa disso, eles apresentam maior flacidez e mais rugas precoces no rosto", diz a dermatologista Ana Lúcia Recio (SP), da Academia Americana de Dermatologia. Para quem pensa em reparar os estragos com uma 'plástica básica', a médica avisa: "Como a vasoconstrição causada pela nicotina compromete o processo de cicatrização, alguns cirurgiões norte-americanos estão se recusando a fazer intervenções em fumantes". Quando se junta cigarro e sol, o estrago é duplo. "Estima-se que a pele das pessoas que tomam sol e fumam envelhece dez vezes mais rápido do que a de quem não têm esses hábitos", afirma a dermatologista Lúcia Arruda (SP), ex-coordenadora científica da regional paulista da Sociedade Brasileira de Dermatologia. Isso ocorre porque a exposição solar, da mesma forma que a nicotina, destrói as fibras de colágeno e elastina, apressando o processo de envelhecimento.

Até a mímica que as pessoas costumam fazer ao fumar - o biquinho típico dos adeptos durante as tragadas, que contrai os músculos ao redor de toda a boca - favorece o aparecimento de rugas em torno dos lábios, ou seja, aquelas marcas de expressão que se tornaram conhecidas como 'boca de fumante'. Alguns especialistas acreditam que a nicotina também pode ser prejudicial à saúde e beleza dos cabelos. "Embora os fios não sejam diretamente afetados, exceto pelo mau cheiro da fumaça, é possível que a irrigação sangüínea deficitária provocada pela vasoconstrição comprometa o folículo do pêlo, justamente onde se formam os novos fios", observa Lúcia Arruda.

Na boca, o cigarro provoca estragos que vão bem além do mau hálito. "A nicotina afeta os tecidos que protegem e sustentam os dentes", diz o periodontista Nelson Thomaz Lascala Júnior (SP), professor da Associação Brasileira de Odontologia. Um problema preexistente de gengiva pode se agravar com o fumo. Não que o tabaco cause a doença, mas a vasoconstrição diminui a irrigação de sangue, reduzindo as defesas orgânicas da gengiva e favorecendo infecções. O resultado estético é dos mais desagradáveis: uma doença periodontal acarreta sangramento gengival e mau hálito, deixando os dentes soltos e maiores devido à retração da gengiva.

E sabe aquele amarelo que tinge os dentes, a pele e as unhas dos fumantes? É obra do alcatrão, substância responsável por diversos tipos de câncer associados ao hábito, entre eles os de pulmão, boca e bexiga.

Estatísticas assustam

A Organização Mundial da Saúde (OMS) calcula que 5 milhões de pessoas morrem anualmente de doenças relacionadas ao cigarro - só no Brasil, são 80 mil mortes anuais. Se você é um dos 56 milhões de fumantes brasileiros, saiba que tem 20 vezes mais chance de desenvolver câncer de pulmão do que uma pessoa que não fuma. O cigarro ainda é responsável por 97% das mortes por câncer de laringe, 25% por doença do coração, 85% por bronquite e enfisema pulmonar e 25% por derrame. Além disso, são sete vezes maiores as probabilidades de se ter úlcera e câncer de estômago. "Uma em cada duas pessoas que fumam morre de doença relacionada ao tabagismo. Metade destes falecimentos ocorre na meia-idade, reduzindo em cerca de 20 anos a expectativa de vida. A fumaça do cigarro é capaz de matar de 24 formas diferentes", alerta Marcelo Gregório (SP), médico broncoscopista do Hospital do Coração.

Fumar por tabela, não

Já foi o tempo em que segurar o cigarro entre os dedos e fazer pose para dar uma tragada era símbolo de charme. Hoje, o fumante é discriminado na maioria dos locais públicos e até dentro de casa. "As pessoas que atendemos não decidem largar o vício apenas por pressão de amigos e colegas, mas por insistência de toda a família", garante a psicóloga clínica Silvia Ismael Cury (SP), coordenadora dos programas de Combate ao Fumo do Hospital do Coração e do Fundo de Aperfeiçoamento à Pesquisa do Coração (Funcor) da Sociedade Brasileira de Cardiologia. Até arranjar emprego anda mais difícil para os adeptos da prática, já que as empresas preferem contratar não-fumantes.

De fato, quem detesta cigarro não deveria ser obrigado a agüentar a atmosfera carregada dos que fumam. Especialmente quando se tornam fumantes passivos, aspirando constantemente a fumaça alheia.

Segundo a American Cancer Society, a 'nuvem' do tabaco no ar contém mais nicotina, alcatrão e monóxido de carbono do que a aspirada pelo viciado. Não-fumantes expostos à fumaça têm de 10% a 30% mais riscos de desenvolver câncer. Crianças cujos pais fumam estão mais sujeitas a ter bronquite e asma. Terrível, não?

Fonte: Revista Viva Saúde (Ed. 01 - por Mariana Viktor)

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